Cunhã Coletivo Feminista

A Cunhã Coletivo Feminista é uma organização não governamental, criada em 1990, localizada na cidade de João Pessoa, PB, Brasil.
A cunhã tem como missão defender a igualdade de gênero, tendo como referências os direitos humanos, o feminismo, a justiça social e a democracia.

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  • 12th
  • Fevereiro
  • 2012

MAL-AMADAS SOMOS TODAS AS MULHERES, INCLUSIVE A MINISTRA

Maíra Kubík Mano

Quando alguém quer criticar uma mulher, dizer que ela é “mal-amada” é a saída mais fácil. Foi isso que fez o bispo de Assis (SP), dom José Benedito Simão, ao tentar desqualificar a nomeação de Eleonora Menicucci como ministra das Mulheres.

Ontem, em entrevista a um jornal de São Paulo, o membro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) ainda afirmou que a nova ministra é “infeliz e irresponsável”. Ao invés de debater o posicionamento da Igreja católica sobre o aborto, absolutamente oposto ao de Eleonora, parte-se para ataques pessoais que beiram o ridículo de uma criança de 7 anos dizendo “você é feia e boba” para outra coleguinha.

Mas com um baita preconceito de gênero por trás.

(Isso, claro, sem comentar o fato lamentável de a imprensa considerar legítimo e digno de fonte um argumento desses)

Utilizar a expressão “mal-amada” (ou “mal-comida”, na versão chula) significa partir do pressuposto que as mulheres navegam apenas pelo campo do irracional, dos sentimentos, do coração. Razão é exclusividade de quem pênis e é macho. Logo, é preciso um homem ao seu lado para ampará-la e mantê-la equilibrada. (Sim, homem, porque a nossa sociedade é heternormativa, infelizmente).

Ser “mal-amada” significa que qualquer opção diferente de uma família papai-mamãe-filhinhos não é legítima. Bem-amado são os casados que procriam. E ponto. Se você está em uma situação diferente dessa e é mulher, cuidado! Corra para as normas, meu bem!

Chamar uma mulher de mal-amada é um mito semelhante ao exagero da TPM (Tensão Pré-Menstrual), onde qualquer comportamento genioso, forte ou contundente é atribuído a hormônios que descontrolariam qualquer corpo. Como se ninguém pudesse ter personalidade e momentos de altos e baixos.

Nada de se admirar, vindo de uma instituição que durante a Idade Média queimou mulheres que eram lideranças nas comunidades ou prestavam serviços de curandeiras acusando-as de bruxaria.

Se a ministra Eleonora é mal-amada por defender, racionalmente, seus posicionamentos políticos, então eu também sou.

fonte: http://mairakubik.wordpress.com/2012/02/11/mal-amadas-somos-todas-as-mulheres-inclusive-a-ministra/